quarta-feira, 31 de março de 2010

A Ultima Conversa

Vendo uma foto em alguns sites da modalidade onde os senhores Aécio Borba e Álvaro Melo (este dirigente de beach soccer também ??) posavam sorridentes ao lado dos senhores João Havelange e Ricardo Teixeira, fez-me refrescar a memória e retornar no tempo precisamente 21 anos atrás.
Estava eu sentado observando uma partida de futebol de salão em São Paulo quando vi surpreso adentrar ao ginásio o senhor Havelange na frente, sendo seguido por Januario D"alessio, Aécio Borba, Vicente Piazza e Ciro Fontao de Souza. Confesso aquilo me provocou um sentimento de profundo mal estar mesclado inclusive com uma certa dose de indignação. Afinal, atirar á sarjeta anos de sacrifício e colocar cegamente o futuro desta modalidade nas mãos do senhor Havelange era, no mínimo, um passo de total insensatez e algo impensável um ano atrás onde tínhamos consciência da necessidade da modalidade ser livre. Era o ano de 1990 e a justificativa (oficial) para essa mudança absurda de rumo foi a de sermos olímpicos 1992, nas olimpíadas de Barcelona.
O jogo então passou a ser secundário e as quase 100 pessoas presentes ao ginásio apenas tinham olhos naqueles senhores, dirigentes, os quais conversavam alegremente como se fossem velhos e "confiáveis" amigos. Em um dado momento, deteve-se adiante de mim o Sr. Aecio Borba e fixou em minha direção um olhar de quem buscava um dialogo. Minha atitude não foi cortez, confesso hoje arrependido, pois simplesmente virei de lado inconformado. Deveria, hoje digo arrependido, haver colocado minha revolta de forma educada, mas colocado com firmeza, não tendo aquela reação de pouca educação.
Alguns anos mais se passaram quando tive conhecimento que o senhor Januario D"alessio padecia de grave enfermidade e assim sendo decidi-me por ligar-lhe e dar uma palavra de animo, apesar de nossas divergências esportivas. Havia ainda entre nós, laços de amizades ainda que com alguns traumas latentes e presentes. Surpreendeu-me a forma carinhosa como tratou-me e senti um tremor de alma quando me disse, ao finalizar nossa ultima conversa, "Não esmoreça jamais, que o futsal um dia vai ser grande outra vez". Dias mais tarde, faleceu solitário. Hoje em dia a FIFA, com argumentos vários, impede a disseminação da modalidade entre a juventude e apenas algunas pouquíssimos países, com certa autonomia, promove competições de base os quais existiam em abundancia na FIFUSA. Um esporte sem crianças sobrevive, caros amigos, mas vegetando sem razões, sem finalidade social.
Portanto, senhores Aécio Borba e Sr. Lozano, presidente da Liga nacional de futbol sala, os senhores sabem sobejamente que nem o senhor Villar, nem Havelange, podem fazer algo por nós e dessa forma, seja porque eles não desejam ou não o deixam, nada farão. Ninguem é imortal, todos nos um dia teremos de estar adiante de Deus, com nossos erros e acertos. Pergunto diretamente olhando fixamente nos olhos do Sr Lozano e Sr Aécio: È essa a herança que vão deixar aos que aqui ficarem???? Um esporte sem meninos e meninas e vivendo de "promessas eternas impossíveis de se cumprirem"....?? Pouco importa a Deus essas fotos senhores, alias em nada lhe agradara, não se orgulhem delas...

Feliz Páscoa a todos, bom momento para refletir

Obrigado

Um comentário:

martin walter disse...

Nada tan cierto como lo que todos sabemos, algún dia volveremos a ser grandes, y aquellos que marcharon a la FIFA se darán cuenta de eso, y volverán.
La mentira tiene patas cortas.
Martin Bonvehi.
Ushuaia